terça-feira, dezembro 30, 2008

quarta-feira, julho 16, 2008

EM DEFESA DE UMA CLASSE

Srs .(a)Ministros(a) do STF

Junto-me a luta de todos os jornalista brasileiros, em defesa de nossa profissão.
Embora seja privilegiado em ser advogado e jornalista, tenho como primeira profissão a de comunicador social. Muitos colegas por este Brasil afora são apenas Jornalistas, e não possuem uma carta na manga para exercer outro ofício, e sustentar dignamente as suas famílias. Grande parte de nossa categoria está muito distante dos profissionais de nome que, sob os holofotes da mídia nacional, ganham bons salários. A nossa grande maioria de profissionais é composta por homens e mulheres humildes, que vivem na maioria dos casos com um salário minguado de um piso salarial baixo. Além do mais, são obrigados a enfrentar duas, ou três jornadas de trabalho para ter uma vida mais digna.
Todas as Senhoras, e todos os senhores, são oriundos de um curso de bacharelado em ciências jurídicas. Uma formação que lhes possibilitou ingressar na mais alta magistratura do país como Ministros do STF – Supremo Tribunal Federal. Uma carreira de fundamental importância para a democracia brasileira, e para a manutenção de nosso estado de direito. Agora imaginemos que para ser Ministro do STF não fosse necessário passar pelos bancos acadêmicos de um curso jurídico, como seria a situação e composição da mais alta corte do país. Quais seriam as conseqüências? Para exercer o mister de Ministro do STF, ou de qualquer outro tribunal, seja de primeira, segunda ou terceira instância, é necessário além da experiência de vida, o saber jurídico.
A profissão de advogado, por exemplo, mesmo com o exame de ordem, que alguns tentam acabar, que seleciona aqueles que exercerão a profissão, também enfrenta um desgaste por parte de profissionais descompromissados e despreparados. Imaginemos se não existisse o exame de ordem que hoje está até mais rigoroso.
Não é raro, seja na imprensa local ou nacional, ouvirmos reclamações, de autoridades e da sociedade civil organizada, contra profissionais de imprensa que às vezes falham na cobertura dos fatos. Ser jornalista exige uma grande responsabilidade, pois ao noticiar um fato estamos gerando informações que criam uma formação de opinião. Podemos mudar até o destino de uma família, ou de uma nação. Hoje noticiamos fatos, mas amanhã estes fatos serão história.
Uma imprensa livre, dentro de um estado democrático de direito, precisa estar desvinculada de censura e controle estatal, mas necessita de profissionais bem formados e capacitados para o exercício de seu mister. Além de sermos contra a desregulamentação da profissão de Jornalista, somos a favor de criarmos o nosso Conselho Federal de Jornalismo, a exemplo do que ocorre em outras categorias profissionais como a OAB, CFM, CFO, e CREA.
No Brasil a nossa profissão é regulamentada por Lei. Mas ainda não possuímos uma instância que se sobreponha aos interesses dos falsos, e dos profissionais inescrupulosos que mancham o nome de nossa categoria. Atualmente para ser Jornalista de Fato e de Direito é necessário ser formado. Mas em termos de controle da profissão não existe nem um órgão com poderes efetivos sobre a categoria. Em todo o país temos apenas nossos sindicatos, e a FENAJ – Federação Nacional de Jornalistas, que reúne todos os sindicatos. Mas vale lembrar que nenhum jornalista é obrigado a se associar a um sindicato ou à FENAJ para exercer a profissão. Integrar um sindicato é um ato voluntário. Sem uma fiscalização do exercício da profissão, e com uma desregulamentação da profissão, aí é que teremos um caos na imprensa. Um caos porque o mercado será invadido por falsos profissionais, além de que os interesses econômicos poderão influir na divulgação real dos fatos.
Como Operadores do Direito na corte maior de nosso país, todos os senhores sabem que as Leis são oriundas de uma transformação social. Os valores, costumes e práticas levam ao surgimento de diplomas legais. Aí, perguntamos, quem será mais atingido pela desregulamentação de nossa profissão? Lógico que nós. E a quem interessa desregulamentar a nossa profissão? O certo é que este processo de tentativa de desregulamentação da profissão de jornalista, não possui apoio na maioria de nossa categoria.
A exigência do diploma de Curso Superior em Jornalismo para o exercício independente e ético da profissão de jornalista é uma conquista histórica não só desta corporação, mas de toda a população brasileira. A luta pela criação de Escolas de Jornalismo começou no início do século passado. O primeiro Curso foi implantado 40 anos atrás e a profissão, regulamentada há 70 anos, desde 1969 exige a formação superior na sua legislação. Este requisito representou um avanço para a imprensa do país ao democratizar o acesso à profissão, antes condicionado por relações pessoais e interesses outros que não o de atender o direito da sociedade de ser bem informada.
Setores sem compromisso com a construção de um jornalismo responsável e realmente cumpridor de sua função social vêm questionando este fundamental instrumento para a seriedade, democracia e liberdade na imprensa. Confio que o(a) Excelentíssimo (a) Ministro(a) votará com este entendimento no (RE) 511961, em favor de uma categoria profissional com papel tão relevante e em defesa da sociedade brasileira.
O diploma em Jornalismo, bem ao contrário de ameaçar a liberdade de expressão, é uma das garantias que conferem à mídia brasileira qualidade e compromisso com a informação livre e plural .

FERNANDO DANTAS
JORNALISTA E ADVOGADO

sexta-feira, março 30, 2007

INVESTIMENTO VÁLIDO

INVESTIMENTO VÁLIDO


As dificuldades do dia a dia do brasileiro sempre são ótimos motivos para refletirmos sobre as prováveis causas. Os problemas enfrentados por nosso povo são muitos. Mas aqui queremos nos ater somente a um. A valorização do TRABALHADOR BRASILEIRO. Grafado em maiúsculo por ser merecedor de destaque e respeito.
Abrindo as páginas dos jornais e revistas nacionais mais recentes sempre encontramos análises econômicas que dão conta de que no Brasil, e em particular no Ceará, o desemprego vem caindo. Que novos postos de trabalho possam estar surgindo não duvidamos. Não cremos, afirmando aqui com veemência, é na qualidade destes postos de trabalho. A mente de nosso empresariado ainda é pequena e mesquinha. A grande maioria ainda persiste na velha forma de explorar “legalmente” a mão de obra assalariada de um povo já tão sofrido.
Ao falarmos isso não nos referimos somente ao trabalhador que recebe apenas um salário mínimo. Tão mínimo que não chega a contemplar o é previsto constitucionalmente para a sobrevivência digna e uma família. Falamos sim de uma classe que começa a ser extinta. A classe média, com curso superior, que para tentar ingressar no mercado de trabalho chega a submeter-se a condições nada dignas de jornada e salário. Se aqui a análise fosse dos recebedores do mínimo, perceberíamos claramente que na verdade esses trabalhadores vivem em um sistema de “escravidão legalizada”, onde na ponta do lápis pagam para trabalhar.
Lá fora chegam a cogitar que o povo brasileiro não gosta de trabalhar. Uma falácia. O Brasileiro, sim, ao contrário de outros povos, sempre encontra um jeito para sobreviver. Seja vendendo lanches em uma bicicleta, olhando carros, ou oferecendo bilhetes lotéricos. Segundo os mestres da economia, chegamos a trabalhar cerca de cinco meses ao ano para pagar tributos. Como trabalhamos para sustentar governos, seríamos os verdadeiros servidores públicos.
Mas enquanto isso no palco do poder maior, aqueles que dizem ser representantes de um povo, do qual eles não querem mais fazer parte, reivindicam aumentos salariais exorbitantes.
Voltando a análise de nossas empresas, com raras exceções, percebemos que diante do excesso de mão de obra colocada no mercado pelas universidades empresas, que só visam o lucro através dos sonhos das pessoas, os mais bem preparados no mercado cearense são obrigados a se sujeitar a situações antes inimagináveis. Os empresários preocupam-se apenas com seus lucros, e esquecem-se de que o maior capital, e a maior riqueza de suas empresas é o funcionário. Para reduzir custos vale tudo. Até mesmo burlar a Lei em relação a alguns direitos do trabalhador. Seja pagando mal, não cumprindo direitos como horas extras, ou contratando estagiários no lugar de profissionais.
Aqui lembramos de uma frase do consultor de markenting americano Philip Kotler: “ Dá-se muita atenção ao custo de se realizar algo, e nenhuma ao custo de não realizá-la.” Aprimorar e valorizar o corpo funcional de uma empresa não é custo , e sim investimento com retorno certo. Algo que alguns homens cearenses, que se acham empresários, ainda não aprenderam. Nesse sentido ée importante que o candidato a uma vaga no mercado cearense analise bem a situação em que se propõe a trabalhar, de modo que saiba se valorizar diante de um empregador.

Fernando Dantas
Advogado e Jornalista

FOTO DA SEMANA


NAS ASAS, O SONHO DE ÍCARO!

Voar. Verbo simples e leve. Verbo que nos leva a uma ação, que não é natural aos seres humanos. Mas natural às aves, morcegos e insetos. Sensação de liberdade, de prazer. Mas o homem, em sua inteligência voltada ao bem, criou o avião. Máquina fascinante, que nos leva aos locais mais distantes. Um sonho de Ícaro. E eu como amante da aviação, e piloto frustado, não poderia deixar de registrar este belo vôo à Brasília.

CARTA PARA CLÁUDIO NAVARRO

A vida é uma dádiva de Deus, senhor e criador do Universo. Você, Grande Cláudio, partiu desta vida terrena, de egoísmo, apego, materialismo, e outros defeitos humanos. Mas nasceu para a principal vida. A vida eterna ao lado do Pai. Estou aqui em casa depois de ver você dormindo em uma urna, sem acreditar que você se foi meu irmão. Mas estou aqui a escrever acreditando que estas palavras chegarão a você, pois no céu também tem lan house, e e-mail. E você como bom mineiro, e amante da informática, dará um jeito de entrar no computador de Deus para ler as suas mensagens.
Nunca esquecerei o seu jeito simpático de atender as pessoas com alegria e educação. O seu jeito brincalhão de me receber no CIP, e na CAACE. Às vezes fazendo papéis que não eram seus. As brincadeiras foram muitas. Inclusive aquela típica nossa de você me chamar de Doutor, e eu recusar este tratamento que não me pertence. E eu brincando com você dizendo: “Ê trein bão. Caba não mundão. Caba sim que é bão!” Uma brincadeira de quem entende bem quem é de Minas.
E por falar em Minas, não aquelas das ruas. Mas das Gerais, de Lavras, de onde viestes. Minas Gerais sempre se destacou em exportar seus minérios. Ouro, Diamantes, e Esmeraldas. E por incrível que pareça, você foi uma dessas peças preciosas das Minas Gerais que chegou ao Ceará. Uma gema transparente de diamante, com a cor verde da esmeralda e da esperança, e o brilho dourado do ouro em seu coração.
Cara, é triste tentar juntar palavras em um momento destes que é doloroso. Estou triste, pela partida de um amigo que queria eu ter convido mais. Ter dado mais gargalhadas juntos, bebendo um chope. Rindo da vida. Fazendo galhofa. Ouvindo seus sonhos de ser um bom Advogado, como me falastes há 15 dias na CAACE.
Mas um dia nos reencontraremos, de novo. A vida não se resume a este mundo materialista e egoísta. Que a sua partida rápida, não sirva apenas para que alguns pensem que devam parar de fumar, beber menos, fazer mais exercícios. Que o seu nascimento para o mundo espiritual, sirva para que as pessoas parem para pensar que a única certeza da vida é a morte. E que durante a vida deixem de ser arrogantes, prepotentes, egoístas, falsas. Que os nossos convivas pensem e ajam iguais a você. Com a alegria, simpatia, humildade, atenção e espírito de servir ao próximo.
Cláudio. A vida é curta. E a gente tem que fazer com ela seja longa, como você fez, praticando o bem. Acho que falei de mais. As lágrimas caem...........E o resto é melhor falarmos pessoalmente, quando nos encontrarmos.

Um abraço, Irmão. Que a Luz de Deus te guie em sua nova jornada.

Saudades. Uma palavra da língua Portuguesa.

Fernando Dantas
Advogado/Jornalista

segunda-feira, outubro 23, 2006

EXPLORAR E HOMENAGEAR?

EXPLORAR E HOMENAGEAR?
Se observarmos bem a realidade das emissoras de TV da Capital Cearense, perceberemos que possuímos bons profissionais. Não pela formação cultural ou educacional de muitos. Já que dentro das estruturas, poucos conseguiram entrar nos bancos do ensino superior, como produtores, editores e repórteres. Digo bons principalmente em relação aos editores de imagens, cinegrafistas e auxiliares. Pessoas que vieram de outras áreas para dentro das TVs, realizando hoje importantes funções que contribuem para levar imagens e informações à população.Estes profissionais são bons porque sem estrutura, com baixos salários, e sendo explorados, ainda conseguem dar conta de seu trabalho. Um ofício que ao longo dos anos vira um vício. Eles sentem-se parte das transformações sociais que a informação jornalística leva às diversas camadas da população. Acompanhando cinegrafistas, e editores percebemos como a maioria procura fazer o trabalho render, e com qualidade. Talvez, dentro de seus corações, exista uma esperança de um dia a situação da qualidade de trabalho nos meios de comunicação venha a melhorar.
Com certeza, qualquer profissional de TV no Ceará daria um show se fosse contratado por uma grande emissora nacional, onde lhe dessem toda a estrutura necessária para o trabalho, respeito à legislação trabalhista, e salários dignos. Digo isto, porque como falei antes eles aprenderam na prática. E dão bons resultados por que são nordestinos, e como tal são fortes para tentar vencer as adversidades do cotidiano.
A situação de desmobilização da categoria dos cinegrafistas, editores e auxiliares, que são filiados ao Sindicato dos Radialistas, passa pela falta de formação educacional e cultural. Para os empresários é mais fácil manipular um profissional sem senso crítico e sem embasamento cultural. Com isso os bons profissionais são descartados, e novos são contratados sem um critério sério e coerente, gerando uma “oferta” excedente de mão de obra, que contribui ainda mais para o achatamento dos “salários” pagos atualmente.
Preconceitos à parte, durante mais de 10 anos já vimos nas emissoras que trabalhamos serventes e auxiliares de serviços gerais serem transformados em cinegrafistas. Não que estas pessoas não devam ter permissão de ascender socialmente, mas que para exercer estas funções deveriam um curso de capacitação, tivessem pelo menos o segundo grau, ou já estivessem em uma faculdade. A visão de mundo destes profissionais seria outra, tanto em relação às notícias produzidas, quanto em relação às suas vidas, e suas relações trabalhistas.
Voltando à preparação cultural intelectual, também encontramos outros profissionais de rádio que amam o que fazem. São os locutores entrevistadores, que muitas vezes a mando das empresas e por necessidade de trabalhar tomam os lugares de jornalistas profissionais nas funções de repórter. Embora com uma formação a desejar, alguns são comprometidos com o que fazem e buscam ser éticos. Vestem a camisa da produção de notícias.
No âmbito dos programas policiais encontramos mais destes tipos de profissionais. Recentemente perdemos um destes comunicadores, que morreu repentinamente. O sr. Jorge Ribeiro, pessoa com quem trabalhamos na TV Diário do Sistema Verdes Mares de Comunicação. Jorge Ribeiro em seu mister era dedicado e comprometido, embora não fosse jornalista. Percebíamos claramente o seu comprometimento em buscar boas notícias para as edições do programa Rota 22. Possuía fontes, contatos com a polícia, e entendia do que fazia. Um homem simples, que vibrava com a notícia, e que tinha uma boa convivência com seus colegas de trabalho. Embora bem mais velho do que outros colegas de redação, Jorge virava um jovem quando estava em busca de novas notícias. Ele se foi, e outros virão para assumir seu lugar. Render homenagens ao colega de imprensa falecido é algo justo, por sua dedicação e empenho.Na minha opinião as homenagens dos colegas são aceitáveis. Mas as poucas homenagens da diretoria da TV Diário, são questionáveis. Digo isto, pois como outros colegas daquela emissora Jorge Ribeiro era mais um profissional explorado pela direção da TV. Como os demais ele sonhava com um futuro melhor dentro da profissão, mas que, sob o julgo de uma administração autoritária, era obrigado a aceitar as regras do jogo impostas por poucos que esquecem-se de seu passado, e ameaçam com demissões infundadas. Pessoas que em cargo de chefia não conseguem perceber o lado humano das pessoas com que trabalham, e acham-se donos dos veículos de comunicação, tentando equacionar problemas no grito.
Isto acontece em grande parte por que os interesses pessoais deste “profissionais” ofuscam uma visão plena sobre os profissionais das redações cearenses. O falecido repórter do Rota 22 não será o primeiro, e nem o último profissional de imprensa a ser homenageado pelas empresas. Uma homenagem fria, sem sentido, e que só vem depois da morte do funcionário.Logo nos questionamos se é válido explorar os profissionais de imprensa durante toda a vida, para depois homenagear? Lógico que não! Digo isto porque já recebi três singelas e importantes homenagens, que me deixaram orgulho. Estou vivo.
Cada profissional de telejornalismo sonha com um futuro melhor para si, e seus familiares. Mas com o salário de fome, não dá nem para comer direito. A verdadeira homenagem que cada profissional de imprensa deste estado deseja receber é em vida. E a homenagem não é nada mais, nada menos do que uma obrigação de cumprir moralmente e legalmente o que cada profissional tem direito. A verdadeira homenagem passa pelo respeito à dignidade humana dos profissionais que não merecem receber gritos, ao cumprimento da legislação trabalhista, e a implantação de um profissionalismo ainda inexistente. Por tudo isto somos contra homenagens falsas àqueles que partiram, e foram explorados em vida. Eu, por exemplo, dispenso estas “homenagens”.

Fernando DantasAdvogado/Jornalista

quinta-feira, outubro 19, 2006

OTIMISMO E TRABALHO!

O tempo corre! Faltam apenas dez dias para ser definido quem será o novo presidente do Brasil. Se olharmos para trás parece que foi ontem que as esquerdas lançaram a candidatura de Lula em 1989. Mais próximo parece a campanha da vitória que levou a alternância de poder no país, culminada com a posse de Lula em 2002.
Agora no segundo turno se formos analisar o cenário político, percebemos claramente que tudo está favorável à reeleição do primeiro governo popular do Brasil. As pesquisas indicam que iremos vencer com uma boa margem de diferença de votos neste segundo turno. Motivo de orgulho e otimismo diante das mudanças sociais realizadas neste imenso continente chamado Brasil.
Acredito que, talvez, o nosso maior obstáculo a ser vencido não será a oposição dos adversários tucanos que tentam desvirtuar os fatos, e confundir a opinião pública dos eleitores indecisos, ou decididos a votar em branco ou nulo. A nossa maior dificuldade será sem dúvidas a abstenção.
No nordeste, Lula conseguiu grande maioria dos votos. Termômetro que indica a satisfação popular em relação ao governo federal. Mas ao contrário do primeiro turno, onde os candidatos nas eleições proporcionais preocupavam-se mais com o eleitor, e principalmente com aquele que vota no interior, devemos agora redobrar os esforços.
Analisando os números do primeiro turno, percebemos que no Brasil Lula teve 46.662.365 votos. O opositor tucano ficou com 39.968.369. E as abstenções somadas aos votos nulos e brancos totalizaram 29.915.923. Nestes quase trinta milhões de votos é que devemos centralizar nossos esforços como militantes, simpatizantes, ou apoiadores do governo Lula. Esta é uma quantidade expressiva de votos que pode mudar a realidade do resultado final das urnas.
As pesquisas leva-nos a um grande otimismo relacionado à vitória, mas não devemos esquecer do trabalho. Trabalho este que nesta reta final é de fundamental importância para a conquista de novos eleitores adeptos à abstenção voluntária, que crescerá; e aos votos brancos e nulos. Mas também não devemos menosprezar os votos dados aos demais candidatos do PSOL, PDT, e de outros pequenos partidos.
Não dá neste momento para entrar no clima do já ganhou. Não podemos repetir o gosto amargo do que ocorreu na Copa do Mundo. Não nos enganemos. Enquanto estamos aqui buscando convencer amigos, parentes, e colegas de trabalho que neste momento Lula é a melhor opção para o Brasil, as forças ocultas reúnem-se embaixo das asas tucanas para descobrir qual o melhor caminho para desestabilizar a democracia do país. E isto que eu digo não é fruto da imaginação deste que aqui escreve. Contra fatos não há argumentos. A imprensa nacional noticiou a fala do candidato emplumado tucano após a última pesquisa: “Se Lula for reeleito, ele não governará”. Com isto, deve se preocupar o eleitor brasileiro, principalmente os que possuem melhor renda, e maior acesso à educação e aos meios de comunicação.
Não devemos votar simplesmente por votar. Mas refletir no papel o que realmente mudou. E o que significa a volta do PSDB e PFL ao poder deste país? Um grupo de herdeiros de tradições que vem desde o colonialismo português, passando por “partidos” como Arena e PDS. Para eles foram mais de 500 anos no poder.
Ao ligar a TV, assistimos apenas discursos evasivos do ex-governador de São Paulo, que fala: O Lula e o PT já tiveram sua chance de governar”. E com certeza eles também tiveram uma chance. E que chance! Foram mais de cinco séculos com políticos no poder que representavam apenas as “elites” tupiniquins deste amado Brasil.
Precisamos, sim, não deixar de sermos otimistas, mas sem esquecer que o trabalho é fundamental para o futuro de nosso povo. O futuro desta nação abençoada por Deus. Não um Deus Opressor, que tenta passar a teoria do Determinismo Divino. Mas um Deus que tenta viver com seus filhos valores de humildade, solidariedade, altruísmo e amor.

Fernando DantasAdvogado/Jornalista